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Dores de crescimento ou lesão por sobrecarga

Como diferenciar desconfortos em crianças e adolescentes ativos?

Seu filho começou a reclamar de dor nas pernas depois do futebol, corrida, dança, ginástica ou outro esporte e a primeira explicação foi: “deve ser dor de crescimento”?

Essa associação é comum, mas precisa ser feita com cuidado.

O termo dores de crescimento descreve um padrão específico de dor recorrente, geralmente nas pernas de crianças, enquanto as lesões por sobrecarga surgem quando determinada estrutura recebe esforços repetidos além da capacidade de recuperação naquele momento.

Em crianças e adolescentes esportivamente ativos, essa diferenciação é especialmente importante porque o sistema musculoesquelético ainda está amadurecendo. Ossos em crescimento apresentam estruturas, como placas de crescimento e apófises, que têm características diferentes das encontradas em adultos e podem ser vulneráveis a esforços repetitivos.

Neste artigo, você vai entender:

  • o que são as chamadas dores de crescimento;
  • quais características não combinam com esse padrão;
  • por que crianças e adolescentes podem desenvolver lesões por sobrecarga;
  • qual é a importância das placas de crescimento;
  • como o aumento rápido do treinamento influencia o risco;
  • quais sinais os pais devem observar;
  • quando é necessário interromper o esporte e procurar avaliação;
  • como a fisioterapia pode ajudar no retorno seguro à atividade.

Nem toda dor durante a infância é “normal porque está crescendo”. Dor localizada, persistente ou que altera a forma de caminhar merece uma análise mais cuidadosa.

O que são as chamadas dores de crescimento?

“Dores de crescimento” é o nome tradicional dado a uma síndrome benigna de dor musculoesquelética recorrente na infância.

Apesar do nome, não está estabelecido que o crescimento dos ossos seja diretamente responsável pela dor.

O padrão clássico costuma envolver:

  • dor nas duas pernas;
  • desconforto no final do dia ou à noite;
  • períodos completamente sem sintomas;
  • ausência de inchaço ou alteração articular;
  • ausência de limitação durante o dia;
  • exame físico normal.

Uma revisão clínica descreve como características típicas dor bilateral nos membros inferiores, mais comum no início da noite ou à noite, sem relação direta com atividade e sem provocar claudicação.

Então crescer não deveria doer?

Não existe evidência suficiente para afirmar que o simples alongamento dos ossos durante o crescimento cause a síndrome.

O nome histórico permaneceu, mas a origem exata dessas dores ainda não é completamente estabelecida.

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2026 reforça que as chamadas dores de crescimento continuam sendo uma condição de etiologia multifatorial e ainda investigada.

Por isso, é importante evitar uma interpretação simples como:

“Ele está crescendo rápido, então é normal sentir dor.”

O padrão dos sintomas precisa ser considerado.

Como é o padrão típico das dores de crescimento?

Embora exista variação, algumas características são frequentemente descritas:

  • dor geralmente bilateral;
  • predomínio nas pernas;
  • episódios no final do dia ou à noite;
  • períodos sem dor;
  • ausência de inchaço;
  • ausência de limitação articular;
  • ausência de fraqueza progressiva;
  • criança funcionando normalmente entre os episódios.

A dor pode ocorrer em regiões como:

  • coxas;
  • panturrilhas;
  • atrás dos joelhos.

Em um quadro realmente típico, a criança costuma estar bem durante o dia seguinte.

Dor de crescimento pode fazer a criança mancar?

Isso não é característico.

Se a criança passa a:

  • mancar;
  • evitar apoiar uma perna;
  • mudar a forma de correr;
  • deixar de participar das brincadeiras;

é importante considerar outras causas.

Uma revisão sobre dores de crescimento destaca justamente que o quadro típico não provoca claudicação.

Dor durante o esporte combina com dor de crescimento?

Não é o padrão clássico.

Quando a dor:

  • começa durante o treinamento;
  • aparece sempre depois de determinada quantidade de corrida;
  • piora progressivamente com o exercício;
  • impede a criança de continuar;
  • reaparece sempre no mesmo ponto;

uma lesão por sobrecarga deve entrar entre as possibilidades.

Isso não significa que toda dor esportiva represente uma lesão importante, mas muda a forma como o sintoma deve ser investigado.

O que é uma lesão por sobrecarga?

Lesões por sobrecarga acontecem quando uma região é submetida repetidamente a esforços submáximos sem recuperação suficiente para acompanhar aquela demanda.

Diferentemente de uma lesão aguda, normalmente não existe um único momento claro de trauma.

A dor pode surgir gradualmente.

A American Academy of Pediatrics descreve essas lesões como resultado de estresse repetitivo sobre determinada região sem descanso suficiente e ressalta que são frequentes na população esportiva pediátrica.

Como uma lesão por sobrecarga começa?

Um exemplo comum é a criança ou adolescente que estava treinando duas vezes por semana e passa a:

  • treinar quatro ou cinco vezes;
  • disputar vários jogos;
  • participar de duas equipes;
  • acrescentar preparação física;
  • competir nos fins de semana.

O tecido pode tolerar a primeira semana.

Depois surge uma dor discreta.

Se a carga continua aumentando sem recuperação suficiente, o desconforto pode ficar:

  • mais frequente;
  • mais localizado;
  • mais intenso;
  • presente cada vez mais cedo no treino.

Crianças são apenas “adultos menores”?

Não.

Essa diferença é fundamental.

Crianças e adolescentes ainda possuem um sistema musculoesquelético em desenvolvimento.

Durante essa fase existem estruturas como:

  • placas de crescimento;
  • apófises;
  • áreas de cartilagem em desenvolvimento;
  • regiões de transição entre tendão e osso.

Revisões sobre esporte pediátrico destacam que o esqueleto imaturo responde de maneira diferente às cargas repetitivas e apresenta vulnerabilidades específicas que não são iguais às dos adultos.

O que é uma placa de crescimento?

A placa de crescimento, ou fise, é uma região de cartilagem próxima às extremidades de determinados ossos longos.

Ela participa do crescimento ósseo.

Enquanto a maturação não está completa, essa região possui propriedades mecânicas diferentes do osso adulto.

Sob cargas repetitivas excessivas, podem ocorrer lesões específicas da população em crescimento.

Por que o período de crescimento rápido exige atenção?

Durante fases de crescimento acelerado, diferentes tecidos do corpo podem não se adaptar no mesmo ritmo.

Além disso, o jovem pode simultaneamente:

  • crescer;
  • aumentar massa corporal;
  • treinar mais;
  • competir com maior frequência;
  • desenvolver habilidades esportivas mais exigentes.

Uma revisão de 2025 sobre jogadores adolescentes de futebol identificou o período próximo ao pico de velocidade de crescimento como uma janela particularmente associada a maior ocorrência de lesões por sobrecarga nessa população.

Isso não significa que o crescimento provoque automaticamente lesões.

O risco resulta da combinação entre:

  • maturação;
  • carga;
  • recuperação;
  • esporte;
  • características individuais.

Quais lesões por sobrecarga aparecem em crianças e adolescentes?

Dependendo do esporte e da idade, podem ocorrer diferentes problemas.

Entre os exemplos estão:

  • lesões por estresse ósseo;
  • irritações da placa de crescimento;
  • apofisites;
  • tendinopatias;
  • dores relacionadas à sobrecarga muscular;
  • osteocondroses.

A literatura pediátrica ressalta que epífises, apófises e placas de crescimento estão entre as regiões que merecem atenção particular durante períodos de crescimento.

O que é uma apofisite?

Apófises são regiões onde tendões importantes se inserem no osso em crescimento.

Sob tração repetitiva, algumas dessas áreas podem ficar doloridas.

Exemplos conhecidos incluem:

  • doença de Osgood-Schlatter, na região anterior do joelho;
  • doença de Sever, próxima ao calcanhar.

Esses problemas estão associados ao crescimento e à atividade, mas são diferentes das chamadas dores de crescimento.

A dor costuma ser mais localizada e relacionada à carga.

Dor abaixo do joelho em adolescente atleta pode ser “crescimento”?

Não se deve assumir automaticamente.

Se existe dor localizada na região da tuberosidade tibial, por exemplo, principalmente durante:

  • corrida;
  • saltos;
  • chutes;
  • agachamentos;

uma apofisite, como a doença de Osgood-Schlatter, pode ser considerada.

A localização e o comportamento são muito diferentes da dor bilateral noturna clássica das chamadas dores de crescimento.

E dor no calcanhar?

Em uma criança ou adolescente ativo, dor no calcanhar durante corrida e saltos também pode estar relacionada a sobrecarga de estruturas em crescimento.

Isso precisa ser diferenciado de:

  • trauma;
  • problemas tendíneos;
  • outras causas de dor.

Especialização precoce em um único esporte influencia?

Pode influenciar a exposição repetitiva às mesmas demandas.

A literatura pediátrica associa especialização esportiva precoce e altas cargas de treinamento ao aumento das preocupações com lesões por sobrecarga em atletas jovens.

Isso não significa que uma criança deva abandonar seu esporte preferido.

A questão é equilibrar:

  • treinamento;
  • descanso;
  • variedade de movimentos;
  • recuperação;
  • crescimento.

Mais treino sempre significa melhor desenvolvimento esportivo?

Não.

A adaptação ocorre durante a combinação entre estímulo e recuperação.

Quando o jovem acumula:

  • treinos;
  • jogos;
  • campeonatos;
  • atividades escolares;
  • pouco sono;
  • pouco descanso;

o organismo pode ter dificuldade para acompanhar a demanda.

A American Academy of Pediatrics destaca que lesões por sobrecarga podem trazer não apenas consequências físicas, mas também perda de participação esportiva e impacto emocional.

Como diferenciar dor de crescimento de sobrecarga?

Nenhuma característica isolada resolve todos os casos, mas algumas perguntas ajudam.

A dor é de um lado ou dos dois?

Dores de crescimento típicas tendem a ser bilaterais.

Dor repetidamente localizada em um único ponto ou em apenas um membro merece mais atenção.

A dor acontece durante o esporte?

Dor que aparece durante determinada atividade e se repete com uma carga semelhante sugere uma relação mecânica maior.

Existe um ponto muito sensível?

Dor focal sobre:

  • osso;
  • articulação;
  • placa de crescimento;
  • inserção tendínea;

é diferente de uma dor difusa noturna.

A criança manca?

Claudicação não faz parte do padrão clássico de dores de crescimento.

Há inchaço?

Inchaço, calor ou vermelhidão também não combinam com o quadro típico.

A dor está piorando?

Uma evolução de:

“só depois do treino”

para

“durante o treino”

e depois

“também no dia seguinte”

merece avaliação.

A criança deve continuar treinando com dor?

Depende do tipo de dor, intensidade e suspeita clínica.

Uma dor leve e transitória pode ter significado diferente de:

  • dor focal;
  • dor progressiva;
  • claudicação;
  • perda de força;
  • dor que muda a técnica esportiva.

A ideia de que a criança precisa “aguentar para ficar forte” não é uma estratégia segura quando os sintomas estão piorando.

Em atletas jovens, insistir repetidamente em uma atividade que provoca dor crescente pode transformar um sinal inicial de sobrecarga em um problema que exige interrupção mais prolongada do esporte.

Pais devem observar apenas a intensidade da dor?

Não.

Também vale observar:

  • quando começa;
  • quanto tempo dura;
  • onde exatamente dói;
  • se muda a forma de caminhar;
  • se afeta o desempenho;
  • se existe inchaço;
  • se acorda a criança;
  • se aparece em repouso;
  • se piora semana após semana.

Uma dor considerada “4 de 10”, mas que provoca claudicação todos os dias, pode ser mais relevante do que uma dor intensa e breve em uma situação isolada.

Quais sinais merecem avaliação?

Uma avaliação profissional é especialmente indicada quando a dor:

  • ocorre sempre no mesmo local;
  • acontece somente de um lado;
  • surge durante atividade física;
  • piora progressivamente;
  • provoca claudicação;
  • limita esporte ou brincadeiras;
  • permanece durante o dia;
  • está associada a inchaço;
  • reduz mobilidade;
  • não melhora mesmo com ajuste de carga.

A revisão clínica sobre dores de crescimento recomenda investigação adicional quando há história atípica ou alterações no exame, incluindo sensibilidade focal, inchaço articular e redução da amplitude de movimento.

Quando procurar atendimento rapidamente?

Procure avaliação médica com maior rapidez quando houver:

  • incapacidade de apoiar o membro;
  • deformidade;
  • trauma importante;
  • dor intensa repentina;
  • articulação muito inchada;
  • vermelhidão e calor;
  • febre;
  • fraqueza importante;
  • dor óssea focal persistente;
  • dor associada a perda de peso inexplicada;
  • mal-estar importante;
  • sintomas neurológicos;
  • dor noturna persistente com características diferentes do padrão habitual.

Esses sinais podem ter causas que vão além de uma simples sobrecarga esportiva.

Os sintomas estão atrapalhando suas atividades do dia a dia?

Uma avaliação individualizada pode ajudar a entender melhor suas limitações e orientar os próximos passos do cuidado de forma segura e adequada ao seu caso.

Exames são sempre necessários?

Não.

Quando o padrão é típico de dores de crescimento e o exame clínico não mostra alterações preocupantes, exames podem não ser necessários.

Já em casos com:

  • dor localizada;
  • trauma;
  • suspeita de lesão óssea;
  • sintomas persistentes;
  • sinais de alerta;

o médico pode indicar investigação complementar.

Radiografia pode ser necessária?

Pode.

Dependendo da suspeita, radiografias podem ser utilizadas para avaliar:

  • osso;
  • articulações;
  • placas de crescimento;
  • determinadas lesões esportivas.

Porém, algumas lesões por estresse podem não ser evidentes inicialmente em uma radiografia simples.

Ressonância é utilizada?

Pode ser considerada quando existe necessidade de analisar com maior detalhe:

  • osso;
  • cartilagem;
  • placas de crescimento;
  • músculos;
  • tendões;
  • outras estruturas.

A escolha depende da hipótese clínica.

Um exame normal significa que a criança pode continuar treinando normalmente?

Não obrigatoriamente.

Imagem é apenas parte da avaliação.

Se existe:

  • dor progressiva;
  • perda funcional;
  • piora com carga;

a resposta do corpo à atividade também precisa ser considerada.

Como funciona o tratamento de uma lesão por sobrecarga?

O primeiro passo é identificar:

  • qual estrutura está envolvida;
  • quanto a atividade está contribuindo;
  • quanto de carga a criança tolera;
  • quais fatores podem ser modificados.

O manejo pode incluir:

  • ajuste temporário do esporte;
  • redução de volume;
  • mudança de exercícios;
  • fortalecimento;
  • recuperação de mobilidade;
  • recondicionamento;
  • retorno progressivo.

É necessário parar completamente o esporte?

Nem sempre.

Em algumas lesões, pode ser necessário interromper temporariamente a atividade específica.

Em outras, é possível apenas modificar:

  • quantidade;
  • intensidade;
  • tipo de exercício.

A decisão depende da estrutura envolvida.

O objetivo não é afastar a criança do movimento sem necessidade, mas proteger o tecido sem perder capacidade física desnecessariamente.

O que significa controlar a carga?

Carga não significa apenas peso.

Para um jovem atleta, a carga inclui:

  • minutos de treino;
  • quantidade de sessões;
  • número de jogos;
  • corridas;
  • saltos;
  • arremessos;
  • intensidade;
  • competição;
  • recuperação entre sessões.

Um aumento grande e rápido de qualquer desses elementos pode modificar a tolerância do corpo.

Descanso faz parte do treinamento?

Sim.

Recuperação não é falta de treinamento.

É parte do processo de adaptação.

Sono adequado, alimentação e intervalos entre sessões também influenciam a capacidade de recuperação do jovem atleta.

Como a fisioterapia pode ajudar?

A fisioterapia pode contribuir quando a dor está relacionada à função, à carga esportiva ou à recuperação de uma lesão musculoesquelética.

O primeiro objetivo é entender qual atividade provoca sintomas e quais capacidades estão insuficientes para aquela demanda.

A reabilitação em crianças e adolescentes precisa considerar que o paciente ainda está em crescimento. A literatura disponível sobre reabilitação esportiva pediátrica é menos robusta do que em adultos, e revisões apontam necessidade de mais estudos específicos para atletas esqueleticamente imaturos.

Por isso, programas não devem ser simplesmente copiados de adultos.

Avaliação da dor

O fisioterapeuta pode investigar:

  • localização;
  • início;
  • duração;
  • relação com o treino;
  • comportamento depois da atividade;
  • esporte praticado;
  • crescimento recente.

Avaliação funcional

Dependendo do problema, podem ser observados:

  • marcha;
  • corrida;
  • salto;
  • aterrissagem;
  • agachamento;
  • equilíbrio;
  • mudanças de direção.

Força

Podem ser avaliados:

  • quadríceps;
  • posteriores de coxa;
  • glúteos;
  • panturrilhas;
  • tronco;
  • membros superiores, conforme o esporte.

Mobilidade

Durante fases de crescimento rápido, alguns adolescentes percebem mudanças temporárias na flexibilidade ou coordenação.

A avaliação pode identificar se determinadas limitações estão interferindo no gesto esportivo.

Coordenação

O corpo de um adolescente pode mudar bastante em poucos meses.

Altura, comprimento dos membros e massa corporal podem aumentar.

Isso exige adaptação do controle motor.

Exercícios podem trabalhar:

  • equilíbrio;
  • coordenação;
  • desaceleração;
  • aterrissagem;
  • controle de mudanças de direção.

Fortalecimento é seguro para crianças?

Quando corretamente orientado, exercício de força pode fazer parte da preparação e reabilitação de crianças e adolescentes.

O programa precisa respeitar:

  • maturação;
  • técnica;
  • progressão;
  • supervisão;
  • condição clínica.

O objetivo não é reproduzir rotinas de musculação de adultos sem adaptação.

Como funciona o retorno ao esporte?

O retorno deve considerar mais do que simplesmente “não sentir dor naquele dia”.

Dependendo da lesão, pode ser necessário avaliar:

  • força;
  • mobilidade;
  • corrida;
  • salto;
  • tolerância à carga;
  • gesto esportivo;
  • resposta depois do treino.

A progressão pode ocorrer em etapas:

  1. atividades cotidianas sem limitação relevante;
  2. exercícios de força e controle;
  3. corrida ou movimento específico;
  4. treino esportivo reduzido;
  5. aumento gradual do volume;
  6. retorno completo quando apropriado.

É possível prevenir todas as lesões por sobrecarga?

Não.

Nenhum programa elimina completamente o risco.

Mas fatores modificáveis podem ser trabalhados, incluindo:

  • progressão de treinamento;
  • condicionamento;
  • força;
  • variedade de atividades;
  • recuperação.

A literatura recente também aponta monitoramento estruturado de carga e treinamento neuromuscular como estratégias promissoras, embora não exista um protocolo universal capaz de prevenir todas as lesões.

A dor está fazendo a criança ou o adolescente reduzir o esporte ou mudar a forma de se movimentar?

Uma avaliação individualizada pode ajudar a identificar limitações de força, mobilidade, controle e tolerância à carga para orientar uma progressão compatível com a fase de crescimento e com a atividade praticada.

Como funciona o cuidado na prática?

Avaliação inicial

O fisioterapeuta pode conversar com o jovem e com os responsáveis sobre:

  • esporte;
  • frequência de treino;
  • competições;
  • início da dor;
  • crescimento recente;
  • descanso;
  • outros exercícios;
  • histórico de lesões.

Avaliação funcional

As tarefas avaliadas devem fazer sentido para a atividade.

Podem incluir:

  • correr;
  • saltar;
  • agachar;
  • aterrissar;
  • lançar;
  • mudar de direção.

Controle de carga

Pode ser necessário reduzir temporariamente:

  • número de treinos;
  • duração;
  • intensidade;
  • repetições específicas;
  • competições.

A redução deve ser proporcional ao quadro.

Fortalecimento

O programa pode trabalhar a capacidade dos tecidos para tolerar novamente o esporte.

Progressão

A carga é aumentada gradualmente conforme:

  • sintomas;
  • força;
  • função;
  • resposta nas horas seguintes;
  • estágio de recuperação.

Retorno às atividades

O jovem não precisa apenas estar “sem dor parado”.

Ele precisa estar preparado para a demanda real do esporte.

Toda dor depois do treino significa lesão?

Não.

Crianças e adolescentes também podem apresentar desconfortos musculares transitórios após atividades mais intensas ou diferentes do habitual.

O que merece maior atenção é um padrão como:

  • dor focal;
  • repetitiva;
  • cada vez mais precoce;
  • progressivamente intensa;
  • associada à perda de função.

É adequado dizer para a criança “jogar mesmo com dor”?

Não como regra.

Ignorar sistematicamente sintomas pode atrasar o reconhecimento de uma lesão por sobrecarga.

Ao mesmo tempo, proibir toda atividade diante de qualquer desconforto também pode ser desnecessário.

A decisão precisa considerar o quadro específico.

A criança pode perder condicionamento durante a recuperação?

Pode, especialmente se toda atividade for suspensa por longos períodos.

Quando clinicamente possível, é útil manter atividades alternativas que não sobrecarreguem a estrutura lesionada.

Isso pode ajudar a preservar:

  • condicionamento;
  • força;
  • rotina;
  • vínculo com o esporte.

Pais e treinadores devem acompanhar a carga?

Sim.

Crianças nem sempre percebem ou comunicam precocemente que algo mudou.

Vale observar:

  • queda de desempenho;
  • irritabilidade;
  • cansaço persistente;
  • dor recorrente;
  • necessidade constante de analgésico;
  • perda de entusiasmo pelo esporte.

A AAP destaca que sobrecarga e overtraining podem ter consequências físicas e psicológicas e que pais, treinadores e profissionais devem estar atentos aos sinais.

Por que contar com uma clínica especializada?

Dor em um jovem atleta precisa ser interpretada considerando duas coisas ao mesmo tempo:

o corpo ainda está em desenvolvimento e a criança ou adolescente quer continuar se movimentando.

Uma avaliação inadequada pode cair em dois extremos:

  • considerar toda dor “crescimento”;
  • ou afastar desnecessariamente o jovem de todas as atividades.

A abordagem precisa considerar:

  • fase de crescimento;
  • esporte;
  • volume de treinamento;
  • força;
  • mobilidade;
  • função;
  • recuperação.

Na Sistema Fisio, na Vila Lageado, em São Paulo, o cuidado é direcionado à avaliação detalhada, atendimento individualizado e recuperação funcional.

Os diferenciais confirmados da clínica incluem:

  • atendimento individualizado;
  • equipe especializada;
  • avaliação detalhada;
  • estrutura clínica;
  • abordagem integrada;
  • cuidado voltado à recuperação funcional.

Como a Sistema Fisio pode ajudar?

Na Sistema Fisio, a Fisioterapia pode ajudar crianças e adolescentes com queixas musculoesqueléticas relacionadas ao movimento e à atividade física por meio de uma avaliação individualizada.

O acompanhamento pode analisar:

  • força;
  • mobilidade;
  • equilíbrio;
  • coordenação;
  • marcha;
  • corrida;
  • saltos;
  • carga esportiva;
  • tarefas específicas da modalidade.

Quando apropriado, o Exercício funcional pode ser utilizado para aproximar progressivamente a reabilitação das demandas reais do esporte.

O objetivo é recuperar função e capacidade de forma compatível com o estágio de desenvolvimento e com a condição identificada.

Quando sintomas sugerem lesão óssea, comprometimento de placa de crescimento, doença sistêmica ou outra condição que exija investigação específica, o encaminhamento médico faz parte de uma condução responsável.

A dor está impedindo a criança ou adolescente de praticar as atividades de que gosta?

Entre em contato com a Sistema Fisio para uma avaliação individualizada e para definir os próximos passos do cuidado e do retorno às atividades.

Conclusão

Dores nas pernas de crianças e adolescentes não devem ser automaticamente atribuídas ao crescimento, principalmente quando o jovem pratica esporte com frequência.

Os principais pontos são:

  • dores de crescimento apresentam um padrão clínico específico;
  • geralmente são bilaterais, aparecem à noite e não provocam claudicação;
  • não existe comprovação de que o crescimento ósseo por si só seja a causa dessas dores;
  • dor localizada e relacionada ao treinamento exige outra análise;
  • crianças e adolescentes possuem placas de crescimento e outras estruturas ainda imaturas;
  • lesões por sobrecarga resultam de estresse repetitivo sem recuperação suficiente;
  • aumentos rápidos de treino podem contribuir para sobrecarga;
  • fases de crescimento acelerado podem modificar a vulnerabilidade do jovem atleta;
  • claudicação, inchaço, dor focal e perda de função não devem ser simplesmente classificados como “dor de crescimento”;
  • fisioterapia pode contribuir para força, mobilidade, controle e retorno progressivo ao esporte;
  • programas de reabilitação precisam considerar que crianças e adolescentes não são simplesmente versões menores de adultos;
  • sinais de alerta ou suspeita de lesão estrutural exigem avaliação médica apropriada.

Se a dor está mudando a forma como a criança caminha, corre ou pratica esporte, procure avaliação profissional. Reconhecer cedo uma possível sobrecarga pode permitir ajustes mais específicos e evitar tanto a banalização da dor quanto restrições desnecessárias.


FAQ

1. Dor de crescimento acontece durante o esporte?

O padrão clássico tende a aparecer no final do dia ou à noite, geralmente nas duas pernas, e não costuma causar claudicação nem limitação esportiva. Dor repetidamente provocada pelo treinamento merece avaliação para outras causas.

2. Como saber se a dor pode ser uma lesão por sobrecarga?

Dor localizada, progressiva, relacionada à atividade e que começa a limitar treino, corrida ou caminhada é mais compatível com sobrecarga do que com o padrão clássico das dores de crescimento.

3. Crescimento rápido aumenta o risco de lesões esportivas?

Períodos de crescimento acelerado podem representar uma fase de maior vulnerabilidade em alguns jovens atletas, especialmente quando combinados com alta carga de treinamento. O risco depende de vários fatores e não apenas do crescimento.

4. A criança precisa parar o esporte completamente quando sente dor?

Nem sempre. Dependendo da lesão, pode ser possível ajustar volume, intensidade ou determinadas atividades. Em outros casos, uma pausa temporária é necessária. A decisão deve considerar a estrutura envolvida e a intensidade dos sintomas.

5. A fisioterapia pode ajudar crianças e adolescentes com lesões por sobrecarga?

Pode contribuir com avaliação de força, mobilidade, controle, carga esportiva e progressão do retorno. A reabilitação deve ser adaptada à maturação e ao esporte do jovem, pois a literatura pediátrica apresenta particularidades diferentes da população adulta.


Links externos sugeridos

  1. American Academy of Pediatrics — Understanding Pediatric Overuse Injuries: Prevention and Management
    Publicação de 2026 sobre lesões por sobrecarga em jovens atletas, diferenças para lesões agudas e importância de reconhecer sinais precocemente.
  2. PubMed Central — Growing Pains: When to Be Concerned
    Revisão clínica sobre o padrão típico das chamadas dores de crescimento e os sinais que indicam necessidade de investigação adicional.
  3. PubMed — Adolescent Soccer Overuse Injuries: A Review of Epidemiology, Risk Factors, and Management
    Revisão recente sobre crescimento, carga de treino, fatores de risco e estratégias de prevenção de lesões por sobrecarga em adolescentes.
  4. PubMed — Musculoskeletal Overuse Injuries in the Pediatric Population
    Revisão sobre fatores de risco, diagnóstico e tratamento de lesões musculoesqueléticas por sobrecarga em crianças e adolescentes.
  5. PubMed — Sports and the Growing Musculoskeletal System
    Revisão sobre as particularidades do sistema musculoesquelético em crescimento e as lesões esportivas características da população pediátrica.